sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

À Nelio, Rodrigo e Nunes




Da série, "Coisas que não têm preço", segue um texto de um ex-estagiário, ex-funcionário, ex-colega de trabalho e sujeito promovido a eterno amigo. O texto foi escrito na ocasião da nossa despedida como colegas de trabalho via CLT. Que nossos próximos passos sejam tão gratificantes e sinceros quanto essas belas palavras. Os homenageados fomos eu e meus dois sócios Rodrigo e Henrique Nunes. 

Mestre é uma palavra convicta, luxuosa, de patente e de prestígio.  E de que serve a palavra, senão para mergulhá-la no mundano, torcer suas raízes e esticá-la no varal do que se quer expressar ? Eu quero enaltecer porque é isso que eu sinto, e a poesia é manobra que me dá a mão.

Vocês devem saber que eu não exalto músicos, escritores, pintores e nem mesmo cineastas! Meu único ídolo pessoal, imortal e incondicional me chamava de filho e foi ele que me ensinou a ser grande parte do que sou hoje. Existe, ainda nessa fração do que sou, uma outra parcela que vem recebendo investimentos da parte da minha mãe, que depositou ensinamentos neste mesmo setor da pessoalidade, há tanto tempo quanto o primeiro. Em outro setor, o profissional, existiu nos últimos anos um considerável aumento de investimento vindo de três pessoas, nem mais, nem menos, que andaram, sem ter muita consciência disso, me fornecendo um degrau dourado, fazendo-me contradizer, logo cedo, da ideia de que ídolo meu era um só. É desses outros três que falo. E se não faço textos individuais, é para não correr o risco de fazer um melhor que o outro.
Eu tenho hoje três ídolos que são humanos. Eu tenho hoje três ídolos que estão vivos. Eu tenho hoje três ídolos que dão bom dia e apertam a mão. Eles são bigode, barriga e saudade. Paciência, companhia e confissão. Esforço, comunhão e aventura. Poema, café e rock. Eles também erram, eles também precisam de palavras sábias, eles também têm contas a pagar, eles também precisam de paz, eles também precisam de ajuda às vezes. Eles não são perfeitos, eles têm seus defeitos. Não são ídolos de se cultuar, de meditações ou sermões. São amuletos, artefatos. São ídolos de estante. Daqueles que apenas por se fazerem presentes já emanam ânimo, determinação e segurança. Daqueles que com eles tudo parece ser mais fácil de vencer.
Eu tenho três ídolos que são os últimos a almoçar, os últimos a ir embora e os primeiros a esquecerem de si mesmos. Eu tenho três ídolos que eu observo satisfeito e, se algum dia eu me vi acima deles, foi só porque se agacharam pra eu não cair. Eu tenho três ídolos que às vezes se desentedem mas que nunca me deixaram desamparado sem antes me fortalecerem. Eu tenho três ídolos que antes não passavam de um emaranhado de promessas, mas logo foi se transformando em algo que me tornou precioso, um olhar atento que me trouxe auto-confiança e sabedoria pra poder escalar o monte áspero da experiência. E se hoje, nossos caminhos vão seguir um pouco mais distantes, fora do alcance dos espichares de pescoço, ainda resguardo o privilégio de ter tido três mestres. Amigos para além da recepção , mas ainda acima, mestres. Mestres que me estenderam a mão, que foram tolerantes,  que me incentivaram a crescer, que me compreenderam tantas vezes, que me confiaram tantas outras, que me deram a oportunidade de perceber que nós, na realidade, desconhecemos nossos limites. 
Obrigado pela convivência bem humorada e por terem me acolhido durante esse ano com tanta consideração. Um dia, serei algo como um discípulo no qual vocês se orgulharão.
Não se preocupem com retribuir esse gesto de gratidão. Vocês já fizeram muito por mim e já têm a minha gratidão e admiração. Desejo tudo de melhor para vocês, eternamente, antes e além da porta de entrada.
                          Com toda a verdade,
                                                        Diego Neves Cotta                

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