quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Estou pronto para "Tudo outra vez"


Então, voltei. Sempre volto. Chega um momento em que se eu não passar por aqui, é como se não parasse  para pensar nas coisas e em como elas têm se dado. 
Acabou o ano. Trezentos e tantos dias se passaram e fico aqui pensando no que mudou na vida desse sujeito que vos fala durante todo esse tempo. 
A faculdade acabou. Não, o prédio e o curso ainda continuam lá no mesmo lugar mas eu me formei. É uma sensação de dever cumprido que só quem sente entenderia. Foram anos sonhando com isso e muitas vezes achei que não conseguiria. Muitas vezes sem grana para a passagem, sem disposição física depois de mais de dez horas de trabalho, sem ter tempo para ler tantos livros quanto deveria e de fazer tantos trabalhos... 
Conquistei professores, colegas, funcionários e não menos importantes, desafetos. A todos sou muito grato, inclusive aos desafetos. Foram eles que me fizeram olhar para mim, exercitar meu individualismo (que às vezes é bom e nada tem a ver com egoísmo), meu “fazer sozinho”, como fiz muitas coisas e o mais importante, aprendi como não agir no caso de ver o colega ao lado se dando bem. 
Aprendi que em alguns momentos é preciso retirar algumas pessoas da vida para o nosso próprio bem. Amigo, parceiro, companheiro vale muito mais que o aluguel de um ouvido para descarregar lamentos. Muito do que consegui, não teria se dado se ainda continuasse me enganando ao lado de algumas pessoas.
Quanto aos professores, houve os que cuidaram de mim e jamais me esquecerei deles. Não costumo, jamais, me esquecer de quem me fez bem. Outro dia um deles me disse que eu era um dos alunos que melhor se relacionava com o “corpo docente”. Fiz uma auto-análise e me lembrei que na infância sonhava em ser filho de professor. Até a pouco tempo insistia com minha mãe para que estudasse. Como não deu certo, acho que inconscientemente, tem algo de maternal nesse meu tratamento com os professores. 
Aprendi a trabalhar com mais entrega. Não que antes não fosse, mas aprendi que não tem essa coisa de profissão que dá grana. Acho que realização profissional tá muito longe de ser puro e simplesmente salário alto. Amo o que eu faço e estou muito feliz por tudo que me tem acontecido, feliz com o trabalho, as viagens, os colegas, nossa equipe...
Fiquei velho. O que não é necessariamente ruim. Tenho trocado coisas novas por velhas. A essas coisas, entende-se músicas, livros, lugares e principalmente amigos. Os poucos que sobraram de todos esses anos são os que mais tem me dado prazer de conversar. Meus melhores programas tem sido me sentar num restaurante ao lado de alguém que amo para falar de poesia, filosofia e bobagens. Música alta, inclusve, tem me causado dor de cabeça.
Também tenho conversado menos e ouvido mais. Confesso que é difícil. Tanta coisa boa para compartilhar... Mas um bom papo, ah, essa é minha melhor ocupação...
Estou melhor comigo e consequentemente, com os outros. É muito bom envelhecer assim, olhando para trás e para o futuro, enxergando os dois. 
E para 2012, fica uma lição: A vida sempre pode ser muito melhor do que é, quando não se perde a sensibilidade. É nela que encontramos gratidão, sonhos, considerações e que abastece nossa capacidade de se emocionar com uma música, um poema, um e-mail, um reencontro...
Agradeço a quem esteve comigo esse ano e teve meu melhor e meu pior, afinal, é disso que somos feitos. Obrigado a quem comemorou comigo meu novo trabalho, meu sucesso na monografia, o contrato grande fechado, meus medos, minhas bolações e principalmente quem não deixou de acreditar em mim. A essas pessoas dedico cada milímetro desse sentimento indescritível que tenho aqui comigo agora. 
Obrigado!
Ao som de “Tudo outra vez”, do Belchior



Um comentário:

Camila Sol disse...

O tempo passa e, mesmo vendo qualidades e defeitos, a minha admiração por voce nunca diminui. Parabens Nelioooooooooo! Muito feliz de ter voce como amigo e colega de profissao!! Muita saude, sucesso e amor!!! beijos