domingo, 29 de maio de 2011

Vai dar tudo certo, pelo menos até dar errado



Hoje estive me lembrando de quando fui para a escola pela primeira vez. Tive curiosidade de rever uma foto minha bem antiga para tentar me reconhecer, ver como eu era quando estava por acontecer a coisa mais importante da minha vida, ou dos meus 5 ou 6 anos: eu iria para a escola.

Para muitas crianças ir para a escola era algo ruim, mas pra mim não. Era o único da minha idade na rua (Vai e Volta) e até então tinha sido criado meio sozinho.

A foto mais antiga que tenho é essa que ilustra esse post. Veio um retratista de longe, parcelou de umas cinco vezes e deu tudo certo. O lugar foi na Piteira, no passeio do tio Sálvio. Minha mãe achava que lá no Vai e Volta não tinha muito lugar bonito para se fazer uma foto, ainda mais minha primeira foto. Por isso escolheu esse cenário aí, com calçada, árvore e tudo.

Eu fiquei olhando para essa foto por uns 20 minutos tentando me achar nesse menino "cabeçudinho" que nem sonhava onde iria chegar. Acho que até então (na época) minha maior preocupação tinha sido uma tentativa frustrada de fugir de casa (para o pasto do Zé César que faz "extrema" com nosso quintal) com medo de apanhar por que tinha quebrado a garrafa de café. Foi meu primeiro grande medo, mas também minha grande primeira lição. Depois de umas duas horas sumido pelo mato, chorando e achando que meu mundo tinha caído e partido junto com a garrafa, imaginando que meu pai me mataria, literalmente, assim que chegasse do serviço e não tivesse café para tomar, aprendi com minha mãe a encarar meus problemas (e a meu pai). Precisei contar eu mesmo, tremendo e soluçando, o que tinha acontecido. Ele me olhou nos olhos por uns eternos trinta segundos e disse: "Vem cá dá um cheiro no pai e vai tomar seu banho".

Em uma coisa coisa eu me reconheço na foto. Aquela pessoa e esta aqui aprenderam a não sofrer por antecipação. Por isso, acho que vai dar tudo certo, pelo menos até dar errado.

Boa semana!