terça-feira, 12 de maio de 2009

Política/Economia – O pior cego é o que não enxerga


Quando se pensa em falar mal do presidente Lula, antes, é importante que se olhe para os lados, a fim de se certificar de não estar sendo filmado ou até mesmo correndo risco de ser linchado por algum petista convicto ou não, que não permite que se fale mal do presidente “dos pobres”, como o próprio se auto-define. Como alguém já dizia, “o pior cego é aquele que não quer ver.”

As medidas sociais do Lula são imediatistas e vão no máximo até sua próxima candidatura, que acontecerá depois do próximo mandato, que certamente será de alguém que preparará sua cama (com dossel e filó para se proteger do mosquito da dengue) para os próximos oito anos de sono tranqüilo (credo! Isso me lembra ditadura).

Lula acertou na receita. Quem o elege são os pobres e esses, precisam de muito pouco para depositarem sua confiança e seu voto em alguém. Bolsas estão na moda. Seja de gás, escola, alimentação ou jeans. Parafraseando o que o próprio povo diz: “de graça, até injeção na testa”, acho que enquanto tiver arroz e feijão no prato, haverá barriga cheia, samba e sono tranqüilo. O brasileiro precisa de mais alguma coisa?


Eu digo tudo isso, mas antes de me chamarem de classe privilegiada, deixo claro que não sou filho da classe média e nem nasci em berço de ouro. Ao contrário, lutei muito (sem bolsa) pra consegui ao menos pagar um plano de saúde decente. O maior defeito dos planos assistencialistas do Lula é que eles foram criados para ganhar apoio popular (e ganharam) e não duram mais que dois mandatos. Esses planos não mudam a realidade do país e nem erradica a pobreza, mas apenas maqueia a realidade.

Cidadania, desenvolvimento, melhor qualidade de vida, bem como a mudança do cenário de um país, são prêmios que se ganham quando se investe em educação e tecnologia. Usando um exemplo que todo mundo usa, tomemos os casos de Hiroshima e Nagasaki. Se Lula fosse de fato a única esperança que nos restasse, estaria cuidando para que o Brasil fosse melhor no futuro, mesmo que não tão próximo. Me sentiria satisfeito se ao menos meus netos vissem um novo nascer do sol no Brasil, se eu não puder ter essa graça.

E enquanto isso continuamos com o crédito mais caro do mundo, os maiores impostos e o maior abismo social de que se tem notícia.

Não conheço o Porto de Vitória, mas o do Rio e o de Santos, é uma vergonha. Nossas rodovias matam tanto quanto uma guerra civil e nos aeroportos, você pode levar tanto trinta minutos quanto quatro horas de espera, para tomar um dos trechos de maior fluxo do nosso país que é Rio-São Paulo (cerca de 40 minutos de vôo).

O jornal da Globo, ao que me parece, não noticiou, mas os orçamentos do Ministério da Ciência e Tecnologia foram drasticamente cortados. Depois nosso presidente vem a público dizer que o Brasil está preparado para um possível surto de gripe suína. Coitado! Lêdo engano achar que me convence com seu discurso medonho, populista e ensaiado. O pior é que, por mais besteiras que ele diga, o povo acredita.


Seguindo a lista de mazelas que o Lula, bem como o povo brasileiro parece não enxergar, temos a favelização, a cada dia mais crescente. No Rio, elas (as favelas) já tomam conta da Floresta da Tijuca, no Alto da Boa Vista. Nas principais capitais do país, o transporte urbano é um caos. O metrô de Belo Horizonte é uma piada, por que não contempla a zona sul e nem acompanha o crescimento da cidade. Levou mais de dez anos pra chegar até Venda Nova e parece que não passará de lá tão cedo. No Rio, os trens da Super Via vivem lotados, a ponto de não se fecharem as portas, mas ninguém denuncia. Em São Paulo, nem é preciso comentar. A maior cidade do país é completamente vulnerável a qualquer chuvinha de meia hora.

E nisso, a violência continua aumentando. As escolas cada vez mais precárias, sem professores qualificados, nas ruas policiais despreparados, mal remunerados, que ganham mais e tem mais reconhecimento quando passam a bandidos.

Estou fazendo um trabalho na faculdade sobre o sistema prisional na grande Belo Horizonte e fiquei perplexo com o que vi. As pessoas aqui fora não tomam consciência do que acontece dentro dos presídios, ou “universidade do crime”, termo bem mais adequado, a meu ver. Tenho tentado manter um certo distanciamento do objeto pesquisado para não comprometer o resultado da pesquisa, mas confesso que às vezes não dá para separar o jornalista do cidadão inconformado.

Em contrapartida, nunca houve tantas contratações num governo, como no de Lula. Os salários dos servidores aumentaram, mas é engraçado que a qualidade do serviço prestado não. A saúde continua o mesmo inferno de sempre e não entendo como é justamente quem precisa dela que acha o Lula bonzinho.

Poderia ficar aqui falando outros tantos milhares de problemas, enquanto os mais cegos dirão serem esses, problemas comuns a outros tantos países e tal e tal...
É também um mal brasileiro tentar justificar tudo, mas jamais parar pra pensar sobre um assunto abordado. É mais fácil aceitar uma verdade pronta a ter que, por auto-questionamento, criar uma própria.

Que esses problemas não se resolvem da noite pro dia, eu bem sei, mas minha indignação maior é pela forma como eles tratados, ou melhor, ignorados, como se simplesmente não existissem. Não aparecem na mídia como de fato deveriam aparecer.


Pra fechar, quero manifestar minha satisfação ao tomar conhecimento de um estudo feito pelo pessoal da UFMG, que denuncia que o Brasil guarda no fundo de seu solo, um fantástico manancial de água potável chamado de Sistema Aqüífero guarani (SAG). Na verdade, minha satisfação foi com relação a obtenção de algumas informações que o estudo trouxe, mas também me desapontei ao saber que, segundo a ONU, em 2050, setenta e cinco por cento (75%) dos países filiados estarão sem água potável. Enquanto alguns países da Europa já conscientes do que os espera num futuro bem próximo, divulga a moda das medidas sócio-ecológicas, como a Inglaterra por exemplo, aqui, se deixássemos de jogar lixo no chão já estaríamos vivendo uma evolução. Temos muito que desenvolver e mais ainda a evoluir.

Queria estar cara-a-cara com Sr. Lula, ao menos por um minuto, apenas para dizer-lhe que, não é por que ele se deu bem como analfabeto que um país do tamanho do Brasil seguirá o mesmo caminho. Sou grato ao Lula sim. Com ele aprendo como não devo agir.

Paro por aqui, afinal, tenho alguns trabalhos da faculdade pra fazer. Sou partidário mas também sou estudante. Minha bandeira é a mesma de Monteiro Lobato. Também acho que “um país se faz com homens e livros” e não com homens e cestas básicas.

Sem música
Nélio Souto

2 comentários:

Liv Milla disse...

Vc nem comentou nada sobre a Branca de Neve... rsrsrs...
Sou ótima crítica não... pelo contrário, sempre fico com medo de magoar os atores ou a produção do espetáculo, aí eu prefiro falar somente o necessário... rsrsrs... eu apaguei muito do que tinha escrito...
Quanto ao boliche, vem pra cá!!! Tem um feriado em junho... você podia presentar a Mariana com uma viagem ao Rio e tals... rsrssrs...
Temos tanto o que conversar, Nélio... você falta nessa cidade que de maravilhosa não tem nada!!!
"Purgatório da beleza e do caos!"
Bjus

Marcela Bittencourt disse...

Meu único leitor inanônimo... (existe isso? rs)
Apareça sempre!!!!
Tambpem adoro te ler... Já disse isso, né??
E se não o faço com tanta frequencia é por culpa dessa vida de correrias e sem net...
]rs

Beijos!!!!!!