terça-feira, 5 de maio de 2009

Dia Nacional da Comunicação



05 de maio de 2009. Não imaginei que fosse chegar até aqui. A primeira vez que achei que minha vida seria bem mais curta, foi quando comi queijo e chupei manga. Me despedi das pessoas que mais gostava e fui me deitar, esperando pela morte. Achava mais confortável morrer em minha própria cama.

Não morri e descobri que a vida, depois que se acha que vai morrer e não morre, ganha um brilho diferente. Quando a manga com queijo não me sentenciou, me vi como que com uma segunda chance de viver e abracei essa chance, bem como à minha mãe, meu pai, meu irmão e ao pé de urucum, que era meu melhor amigo na época.

A segunda chance a vida me deu quando, voltando do clube de bicicleta, fui apostar corrida com Wendel e, não conseguindo fazer a curva do trevo, derrapei na areia e me estatelei no asfalto. Vendo minha camisa, meu rosto, meu corpo todo vermelho de sangue, achei que não sobreviveria. Logo que me dei conta de que ainda estava vivo, imaginei que passaria o resto dos meus dias numa cadeira de rodas. Hoje tenho apenas algumas cicatrizes quase apagadas na barriga e cólicas de riso quando me lembro do acontecido.

E depois vieram outras tantas chances da vida. Uma turbulência que não passou disso, uma derrapada que não chegou a tirar o carro da pista, uma gripe de três ou quatro dias, a descida da Pedra da Gávea de asa-delta e a aterrissagem ali, bem ali, numa quadra de vôlei, precisamente...

sofri, chorei, pedi, cansei, tremi, passei, mudei...
... e a vida continua sendo muito generosa comigo.

Não sei se é mal da idade mas aprendi a confiar mais em mim. Meu amigo Marcio Garoni chama isso de crise de meia-idade. A quarter life crisis nos obriga a rever o caminho que traçamos até aqui e planejar os próximos passos.

Falando em próximos passos, à vezes me lembro de umas passagens de quando eu era bem bebezinho. Parece que antes de nascer, eu tinha medo de vir ao mundo num dia sem muita relevância (sim, eu li “As Chaves do Inconsciente”, da Renate Jost De Moraes). Foi aí que eu devo ter ficado esperando por um dia que tivesse mais a ver comigo e eis que nasci aos cinco dias de maio, dia Nacional da Comunicação. Teria sido uma mera coincidência?

Dia cinco de Maio é o 125º dia do ano no calendário gregoriano e faltam exatamente 240 dias para o ano acabar.

É um dia frio de outono, com tardes onde o sol pinta o céu descuidadamente, igual a uma criança do maternal a quem déssemos um pincel e uma tela em branco.

Estou muito feliz por que há algo de bom em ficar mais velho. Ao invés de se preocupar com o que se tem pra fazer, agora me preocupo mais com o que ainda posso fazer. Agora, quando assisto a um filme, quero saber o ano, o país e quem o dirigiu. Leio bulas de remédio, rótulos de shapoo, acho legal sair pra jantar, acho tardes de domingo muito tristes, penso mais na minha mãe, tenho mais saudades, fazer supermercado nem é tão ruim assim, me levem a televisão mas me deixem o rádio, leio mais, ouço mais, falo menos... de fato estou mais velho.

Mas em contrapartida, devo estar melhorando. Se assim não fosse, de nada valeria a pena viver. Tenho me sentido, a cada dia, mais querido e não há sensação mais confortante do que se sentir querido.

Quero agradecer imensamente aos amigos que comemoraram comigo, antecipadamente, meu aniversário no sábado, no Estúdio B Music Bar. Foi tudo perfeito. Foi um dos dias mais felizes da minha vida. Lamento por algumas pessoas que eu gostaria muito que estivessem lá, mas que por motivos diversos não puderam comparecer, mas os que compareceram fizeram de tudo para que a noite fosse perfeita. E foi.
Recebi tantas mensagens carinhosas pelo orkut, sms, ligações, e-mails, que... sei lá, dá vontade de abraçar a cada um, retribuindo, ao menos minimamante, o carinho manisfestado.

Obrigado mesmo, a cada amigo, principalmente os do dia-a-dia, que já me homenageiam o ano todo e nem precisava fazê-lo no meu aniversário.

Meus amigos são os grandes responsáveis pela vida que tenho. Amo vocês!

Até o ano que vem, se Deus quiser!

Ao som de "Boys don't cry", The Cure

3 comentários:

Liv Milla disse...

Nossa...
Você fala como se tivesse fazendo 50 anos!!!
Pára menino!!!
Parabéns pelo niver!
Saudade

João Killer disse...

Bom texto. É verdade quantas vezes já pensei que era o fim da linha. Mas acredito que essa aproximação da morte é que nós faz querer viver mais. E mais uma vez parabéns!!! Ano que vem se convidado estarei lá!

Nelio Souto disse...

Liv, obrigado pelo carinho. Depois gostaria que respondesse a uma pergunta de um filósofo: "Quantos anos você teria se de repente você não soubesse quantos anos tem?"

-Eu poderia não responder 50, mas sabia que, certamente responderia seria bem mais do que eu tenho.
E você? Quantos teria?

João, com certeza ainda comemoraremos vários aniversários meus juntos, pode apostar. Obrigado pela presença no Estudio B. Foi super divertido, não?

Abraço, meus caros!"