quinta-feira, 16 de abril de 2009

Lei? Que seca?



Eu e minhas manias. Adoro, por exemplo, ler revistas velhas. Ontem folheava uma Galileu de agosto do ano passado a qual a capa apresentava uma matéria sobre a Lei Seca. O editorial dizia que era a edição de aniversário da revista mas tamanha era a discussão que a tal Lei Seca incitava, que acharam por bem “capear” a revista com “O real efeito da lei Seca”. Foram 14 páginas falando sobre o assunto que deu pano pra manga na época. Até quem não tinha sequer carteira de motorista e nem pretensão de adquirí-la, se aventurava em debates com opiniões seguras, como que de profissionais. Hoje pergunto: o que aconteceu com o assunto que tirou uma edição de aniversário de uma revista de mais de 16 anos no mercado da capa?

Alguns amigos que, à época, ficavam receosos de tomar um chopinho e dirigir na volta pra casa, já se comportam como se a tal lei nunca tivesse sido sancionada. Nunca mais vi uma van parada na porta de um bar, como cheguei a ver no ano passado e nem restaurantes se oferecendo para pagar o táxi do cliente que enchera a cara.

Li em mais de um lugar que a nova lei reduziu significantemente o número de acidentes. Será que as antigas estatísticas retomarão a seus lugares depois que o povo se esqueceu da lei tão (falada) importante ?

Uma das coisas que mais me irrita no ser humano é a memória curta regada à modismos e na imprensa, é a facilidade que ela tem de nos depreciar, de achar que falar de um assunto quando todo mundo o faz, é fazer papel social, enquanto na verdade o que falta é competência para falar de assuntos interessantes e, minimamente inéditos. Mais cômodo é seguir o bonde, ir na onda, cobrir o que todo mundo cobre e o que se vende hoje, por que afinal de contas, a notícia de hoje será o lixo de amanhã, alguém já dizia algo mais ou menos parecido. Lembrando que essas são minhas opiniões e não são regras, o fato é que reprovo, pela liberdade que tenho de exercer minha opinião, a mídia que tenta me empurrar produtos que (eles) julgam me interessar (e erram feio).

Gosto de olhar para as coisas por um ângulo menos óbvio. É daqui que tenho a melhor vista.

Revistas velhas ou não, a parte que mais gosto são as cartas dos leitores. Me interesso pelo que as pessoas pensam sobre as matérias. Degustação de democracia e liberdade, mundo ideal, essas coisas.

Agradeço sempre minha capacidade de me emocionar. Imaginem que uma mãe passou muito tempo acompanhando o filho de 14 anos, com câncer, num hospital. O filho sonhava em se tornar um médico, desde muito criança. De muito lutar contra a doença, o filho veio a falecer. Antes, contava como havia passado dias tão felizes num hospital, onde sempre sonhara em estar, trabalhando. “Mãe, olha que sorte! Passo o tempo num hospital, no lugar em que quero trabalhar”, dizia ele à mãe, ao demonstrar a satisfação em conhecer o dia-a-dia dos médicos. Lição de vida. Só quem tem muita vontade de viver pode encontrar vida num câncer terminal. Essa história é verídica e a mãe escreveu um livro sobre as lições que aprendeu com o filho. Vale a pena acessar o site da mãe/autora no www.opequenomedico.com.br.



OBS: Ontem assisti ao Atlético e Guará... (...tinguetá. É indígena isso?) no ASSA da Bahia. Fiquei por lá mais de duas horas. Ninguém me pareceu se lembrar da Lei Seca. Ela acabou é?

Ao som de várias músicas, na Radio Hamburg

Um comentário:

Liv Milla disse...

É, por incrível que pareça ela ainda existe!!! Mas saiu de moda, sabe como é, né?!

Outro dia tinha um monte de carro rebocado aqui, tudo com adesivinho da Lei Seca... haouahauhao

Bjo!