domingo, 15 de fevereiro de 2009

Insônia



Nada pra fazer. Ou tudo pra fazer mas coragem nenhuma me tira de casa hoje. Recorri à caneta e ao papel. Descobri que quase não sei mais escrever com caneta e papel. O mundo anda me estragando.

Estou inundado de sentimentos, pensamentos, devaneios, mas meu "pensar" não está em sintonia com meu "escrever". Talvez se eu persistir eu consigo ao menos uma pauta.

Uma sexta à noite. Escrevo na luz baixa do abajour, sentado na cama, debruçado sobre um caderno que foi minha companhia ainda no segundo grau. Existe até hoje e em perfeito estado de conservação. Queria ter sido como ele, forte e resistente à degradação dos anos que se passaram.

Minha coluna dói. A posição ao qual eu me encontro me incomoda. Me martela na cabeça que não tenho mais 15 anos e já não posso mais me sentir confortável na posição de lótus.

Ouço rádio. Uma mensagem de ânimo, que pra mim tem efeito contrário. Fala da procura por um amigo que não fique debruçado no tempo, mas que viva o presente de forma intensa. Eu sou esse amigo.

Me cansei do rádio. Comecei a me perguntar milhões de coisas. Não encontrei respostas para nenhuma das perguntas. Suposições e teorias, apenas.
Não sei porque cometi tantos erros. Talvez seja porque meu passado sempre me perseguiu, a ponto de se confundir com minha própria sombra.
De tanto pensar, fiquei tonto. Meu quarto não parecia mais o mesmo. Parecia grande e eu pequeno. Meus braços pareciam curtos e só alcançavam meu terço, na cabeceira da cama e um maço de cigarros em cima da minha caixa de vinis, que fiz de criado-mudo. Tentei me lembrar quando havia comprado esse terço, mas não consegui. Talvez tivesse sido na igreja de Brás de Pina, talvez não.

O terço está encardido. Me lembro que era branco, quando o comprei. Assim como eu, o terço também não passou ileso pelos anos.

Minhas mãos não alcançam o cinzeiro. Quando me lembro de bater as cinzas, quase caindo, preciso tomar um impulso e jogar meu corpo pra frente.
Esforço em vão. As cinzas caem no chão e se misturam às cinzas do incenso.

Meu quarto está com um cheiro insurpotável de cigarro. Quarto com cheiro de cigarro, tem cheiro de doença. Doença da cabeça.
Pessoas sãs não fumam num quarto fechado, numa sexta à noite, questionando sua própria existência.
Pessoas sãs não fumam.

Ao invés de escrever, poderia estar lendo. Tenho o que ler. Ler é viver. Optei por morrer fumando esse cigarro fedorento, numa sexta à noite, cheio de remorso porque viver ou morrer é isso: apenas uma questão de escolha. E quando a escolha é errada, fica o remorso.

2 comentários:

Liv Milla disse...

Voltou a fumar??????????????????????????????


Quando eu for me internar, vou levar você junto!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Eu heim, que idea!!! Hãm!!!

Vamos recuperando essa sanidade porque de louca basta eu, heim...

Nelio Souto disse...

Saudades...
Você não sabe o quanto é bom saber que está por perto, sempre.
Beijo!
Te amo hein...