segunda-feira, 21 de julho de 2008

Há vida inteligente na "Balada"

Resolvi ouvir os conselhos da Marcella e sair um pouco de casa. Marcella me receitou "ver gente sábado à noite depois da refeição, em doses confortáveis", para não correr o risco de uma superdosagem me levar à uma possível intoxicação. As reações colaterais poderiam ser desagradáveis e ainda fragilizar minha saúde física e mental.
Tive certa resistência à recomedação terapêutica de minha fiel amiga. A considerar que ela está à quilômetros de distância de mim e não poderia me ministrar a dosagem da droga pessoalmente, fui um tanto relutante à idéia. Ver gente? Será que me fará bem? Marcella luta para que eu não me torne de vez uma pessoa nada sociável. Não é bem isso. Apenas não me sinto mais muito à vontade em determinadas "baladas" mas como a companhia influencia muito, penso que ao lado de pessoas queridas, qualquer lugar acaba por se tornar frequentável, então me embarquei.
Era aniversário da Mandica. A opção e a ocasião eram uma boa pedida. O local escolhido foi uma casa que tinha Samba de Raiz. Agradabilíssimo ambiente e a banda não deixou à desejar. Compareceram algumas pessoas de Jacuri. Me diverti. Não! Não beijei ninguém. Sempre quando alguém me pergunta se saí, pergunta quantas eu beijei. Beijar várias na mesma noite era mais bacana quando eu tinha, sei lá, uns quinze ou dezesseis anos. Não quero parecer antiquado mas acho que passei dessa fase. Não tenho auto-estima o suficiente para tomar trinta e dois "foras" numa noite. Tudo isso só para, ao final contabilizar um saldo de cinco bocas beijadas e minha vidinha continuar a mesma, sem nem um tefone trocado? Não, obrigado. Definitivamente não sou desse planeta.
Não acho que vou encontrar a mulher da minha vida numa balada, embora talvez isso seja possível,(quase deu certo com um amigo que por pouco não me fez acreditar que aconteceria comigo). Algumas Colombinas já me fizeram um "(...)pierrot infeliz(...)" mas minha folia não será apenas uma simples folia. Sou uma pessoa. Saio para me divertir. "Cabeça, tronco, membros, e coração..."
A noite seguiu agradabilíssima. Sempre reclamando que não conhecia aqui em Belo Horizonte uma casa com um bom samba e chorando saudades do Rio Scenariun, acabei por ser agraciado por, além de boa música, boa companhia. Ao som de "Tonga da Mironga do kabuletê" eis que avisto um grupinho de três "belezuras". Mulheres com cara de inteligentes. Acho essas as mais, mesmo que ao afinal você descubra que não são. As mulheres detêm um fascínio que parte de onde elas bem entenderem. Têm esse poder, embora poucas sabem que o têm. A pista inteira "chegaram nelas" mas nem sequer um beijinho no rosto conseguiram. As garotas eram enfáticas no seu "não" distribuído aos quatro ventos.
Pensei, pensei e...cheguei. Não cheguei chegando, como faziam todos. Cheguei cortejando. Não queria agredir. Não era um animal procurando uma fêmea para acasalamento. Era um cara poeta, meio "alto" que via entre o grupinho, não uma presa, mas uma companhia. A imagem de garotas fúteis, metidinhas à besta, esvaiu-se. Eram três amigas de infância que resolveram sair pra dançar um bom samba, se divertir e... não beijar ninguém. Simples assim. Qual a dificuldade em entender isso? Por que estavam alí dançando, acaso estaria implícito que estariam à procura de alguém? Só queriam dançar. Não queriam saber de ninguém. Quiseram saber de mim. Foram simpaticíssimas comigo. Uma advogada, uma bióloga, uma, acho que devo chamá-la de "comunicadora". Discutimos valores, relações, poesia, teatro...
Em outra oportunidade deixei aqui um atento à uns amigos que se prestam a reservar algumas horinhas da semana para uma pelada, uma cervejinha e um prato sugestivamente fraterno(feijoada, vaca-atolada, feijão tropeiro,...).
Dessa vez o atento honroso vai para as três garotas simpáticas e inteligentes do samba de sábado. As garotas reservam um sábado à noite à elas mesmas, para juntas dançarem, rirem, baterem papo, se divertirem e nada mais, (salvo neste último sábado, pra ouvir meus longos e Hamletianos discursos).
Que conservem essa doçura, essa sensibilidade. Esse mundo maluco já esqueceu, se é que lembrou, que existe atitudes nobres, como "fazer amigos", "estar amigos", "relembrar amigos", "ser amigos."
Beijo grande à vocês.
Infelizmente não peguei telefone.
Se ao menos tivessem gravado meu nome, certamente me encontrariam por aqui...
Mas valeu.
Já me basta saber que em algum lugar dessa cidade, vocês existem.

Nelio Souto

3 comentários:

Liv disse...

NOssa, que engraçado...
Te escrevi um e-mail falando sobre balada e quando resolvi matar a saudade "te lendo", não é que você está falando deste mesmo assunto???
ADOREI!!!
Mas ficou uma dúvida... e se elas tivessem beijado alguém (ou "alguéns")? Elas seriam menos agradáveis, inteligentes e sedutoras por isso?
Me responda por e-mail, afinal é disso mesmo que ele fala!!!
Beijos saudosos...

PS> MARAVILHOSO ler o seu blog!!! Hoje em especial!

Nelio Souto disse...

Liv,
Bom encontrá-la por aqui. Volte mais vezes. Sobre sua colocação, lhe respondi por e-mail de forma mais pessoal e o faço aqui de forma mais generalizada.
Eu não julgo mal uma garota que sai na noite e beija todos e nem caras que assim o fazem. Concordo que poucas coisas mudam quando tratamos de "mulheres" e "homens" que, como pessoas, teriam os mesmos deveres e logo, os mesmos direitos, mas saliento que a postura de cada gênero é muito diferente.
Nós vivemos numa sociedade "ajustada" por códigos de conduta, de convivência, de comportamento,... Não há como nos livrarmos do (ao menos em pequenas doses) machismo. São séculos de evolução modesta e, por mais que eu queira, não conseguirei acelerar tal processo.
Eu posso não parecer machista ou dizer que não o sou mas a sociedade é e eu estou inserido nessa sociedade. Uma colocação analisada por mim, não poderia fugir à interpretação machista simplesmente por eu não ser um ser assexuado.
Não acho que quem transforma as mulheres em galinhas sejam os prórprios homens, como sugere o tal sujeito. São as mulheres e os homens que assim o fazem. Tem mulheres que se contentam com qualquer coisa e levam a fama de galinha em troca de muito pouco. Queremos sim meninas legais, sexy, taradas, bonitas, inteligentes e boazinhas...não vejo nada de errado nisso. É fato que quando ainda não sabemos o que queremos, (1-viver uma vida de filme da sessão da tarde com passeio no parque de mãos dadas, cinema, pipoca, macarronada no domingo... ou 2-marcar encontro com a nova vizinha do 301 concomitantemente à opção anterior) é aceitável a indecisão de, quando sozinhos, sonhamos em encontrar uma garota bacana, quando com uma garota bacana, nos fazem falta aquela baladinha de azaração no final de semana. É preciso entender que não se pode ter tudo. Ou você investe na vizinha ou arruma uns rolos do outro lado da cidade...kkk(brincadeira).....
Mas é isso. Tanto estar sozinho quanto estar acompanhado tem seu lado bom e ruim. O ideal é pesar e analisar qual das duas fases tem mais à ver com o atual momento da nossa vida.
Não acho que toda mulher que beija todos na balada é galinha, mas acho que são pouco seletivas sim. Balada é onde há o afloramento de vários instintos animais de que o ser humano é escravo. Balada é atração física, cheiro, pele, tato, tesão...coisas notáveis e sensitíveis somente ao primeiro instante, ao primeiro contato. Isso não sustenta uma relação. Eu acho que a mulher, assim como o homem, pode ter sede de explorar seus instintos desde que assuma as conseqüências depois. Volto a dizer que é tudo uma questão de escolha. Tanto o homem quanto a mulher, quando sai à caça, se expõe e corre o risco de cair em estereótipos. Quando isso acontece, a mulher fica no prejuízo por que é menos seletiva. Já reparou que homem não gosta de mulher mal falada? Aquela garota com quem o cara faz a festa certamente não se sentará na mesa da família dele no tal domingo da macarronada. Conheço uma garota que era linda, bacana, inteligente. De repente começou a sair, pegar todos, zoar, curtir a vida à doidado. Ela tinha uma amiga que era menos bonita que ela, menos inteligente que ela, menos interessante que ela. Hoje, uns sete anos depois, a doidona que curtia a vida está solteira, pegando caras de qualidade questionável por falta de opção. Já a amiga bobinha e sem graça é o sonho de consumo da marmanjada. É preciso entender uma coisa simples: a mulherada precisa se valorizar. O homem é criterioso e sabe bem quando quer sexo e quando quer de fato uma garota só para ele, para dividir seu mundo, suas plantações e colheitas, portanto para um cara existem dois tipos diferentes de mulher. Já a mulher gosta do cara mais rico, mais bonito, mais bem vestido, com o carro mais bacana, mais isso, mais aquilo... e na cabeça delas, qualquer modelo de cara pode se tranformar perfeitamente no "cara perfeito", ou seja, o seu (triste ilusão). Mulheres não se apaixonam pelo cara ideal. Apaixonam-se por qualquer cara e pensam que podem fazê-lo ideal. Isso explica por que encontro tantas amigas reclamando que o cara não era nada do que imaginaram. Mas o cara nunca deixou de ser o mesmo. O homem não é bom nessa coisa de fingir ser o que não é, inventar personagens e tal. É mais comum ver mulheres reclamando, se desmanchando em insatisfações do que homens. Por que homens se contentam com qualquer coisa? Ao contrário, escolhem o "produto" já em fase final, precisando só de alguns pequenos ajustes e alguns retoques (sempre tem ao menos uma pecinha que merece um up grade né). Raríssimas são as mulheres que se sentem atraídas pela inteligência de um sujeito. Quem era o mais cobiçado na sua época de escola?- Certamente o cara com o maior espírito de liderança( geralmente admirado por ser o melhor do time de futebol), mais forte, de olhos claros e cabelo bom. Já a garota mais cobiçada certamente era a mais bonita e de corpo mais esbelto, até o dia em que ela foi flagrada atrás do muro com o carinha "ídolo" da torcida. Depois disso, todos queriam pegá-la mais do que nunca, mas imaginá-la como futura mãe de seus filhos, jamais.

Chega! Acho que me fiz entender, não?
Mulheres, valorizem-se! Saibam definir bem o que querem. Tem mulher pra casar e tem homem pra casar também, por que não?
Antes que alguém se manisfeste contra minhas colocações, adianto que sei que haverá mulheres indignadas que dirão que nada disso se aplica à elas. São colocações generalizadas, fundamentadas no dia-a-dia, já que tenho amigas, ex, irmã, colegas e além do mais sou desse planeta (eu acho).
Não quis ofender ninguém, entendam.
Só penso que meus valores não se mostram à primeira vista e da mesma forma, em alguns minutos, no escuro, com umas na cabeça e com uma música ensurdecedora, provavelmente não poderei reconhecer o que de melhor uma garota tem a me ofercer.


Nelio Souto

Cavaleiro da Esperança disse...

Carissimo Nelio mas é claro que as " baladas " podem ser agradaveis, as vezes não se importa onde se vai, mas, com que você vai ou irá encontrar. Olha, existem varias bares/casas legais em beaga para quem curte um bom samba .... descubra!